Tuesday, May 22, 2012

Uma miragem?

Carreguei baldes e palmeiras por aí
Sem perceber;
Subindo ladeiras,
Transpondo barreiras,
Por você.

Busquei o azul da praia-sem-mar.
Procurei entender.
Avivar o monótono,
Longínquo e inócuo
Amor por você.

Mesmo com os olhos arenosos
contra o vento, acreditei ver.
Andejei incessante e otimista;
Plantei o que trouxe,
Esperei crescer. 

Lamentei algo árido renascer 
D’um verde (agora pérfido e ilusório)
Que sem córregos ao redor 
Reguei por você. 
Das novas fases, é esta a melhor:

Perecer! Asfixiado pelas areias do oásis,
Tentando beber do vinho…
Que mirei em meio ao deserto
Lôbrego que seca tudo que gira
Em torno de você.

Tuesday, May 15, 2012

Inviting Sonnet

In these tough times after the spring,
I wish i have someone here
to lie down along and sing,
instead of cigarrette and beer.

I remember yesterday’s midnight 
moon, and wonder: Can it last?
Then I hear over and over,
the words you faithfully said.

I dare you to fill my emptiness,
I’d like to laugh but cry instead
Am i asking for too much?

I bet that any single touch that
you’ve ever done, is enough to heal my
sorrowful regrets and grow us strong!

Sunday, May 13, 2012

Os nós dos fones de ouvido

Maldito caminhar dependente. Só um caminho tracejado de ida e volta, tempo cronometrado, inerente. Arrombar a porta da tangente daria em nada, cairia no hiato do caminho que escolhi de uma só estrada. Hoje é dia útil - Útil? - Só vou pra aula… E andar o caminho de ida e volta, ouvindo música, gastando calçadas. Meus fones de ouvido são, por hora, melhores amigos. Dependência unilateral, com seres inanimados não deve fazer tão mal. No tempo cronometrado, vozes selecionadas sopram meus ouvidos, entre os refrões e assobios, um arrepio. Caminhar dependente e corriqueiro. Eis que um dia, um tanto diferente, meus fones jaziam no bolso entregue à nós, ou seriam correntes? Ou somente nós refletindo até nos meus pertences? Entrelaçado na simplicidade, aparentemente indecifrável, quase desisti. Levei o caminho tracejado inteiro para levá-los de volta ao estado natural. Desfiz os nós, mas nós continuamos sem música, como esse dia mudo. Quando no fim da aula retirei-os do bolso, estavam novamente embolados. Desisti da melodia, preferi o silêncio. Para que insistir por algo que tende facilmente à entropia? Desamarrar nós e desamarrar-nos para ouvir alguns cantos é deveras cansativo até para as mãos de um poeta. Ouvirei vozes novas, chega de reticência e antissocialismo. Temos nossas próprias músicas, não temos? Não preciso desembolar nada para cantar o que eu mesmo compus. A letra você sabe de cor. O peso, o sentido e a materialização de cada verso. Controverso ou não, desisto por hora dos fones de ouvido, todavia minha estrada sempre será a mesma, dia após dia, a partir de agora silente. Nunca indiferente. Será fácil me achar vagando calado nesse maldito caminho dependente.

Thursday, May 3, 2012

“Contentamento Descontente”

Estorvos outrora desapercebidos, sopram o fogo com tamanho fôlego que até o bloqueio feito por nossas mãos entrelaçadas é impotente. A chama oscila no nosso ritmo, afinal a instabilidade fez parte dessa vela desde o início. Esta que não adornará nosso bolo acesa, por minha chama exigente, tua chama intransigente ou qualquer chama de incerteza. Me chama pra cama, diz que me ama, nisto és convicta, não poupe clareza! Por que ultimamente só vejo-nos sobre nuvens negras? Só resta despeito, por falhar-me o respeito e falhar-te a beleza da voz. Na frieza do quarto, sem porta-retratos, será o Tempo nosso algoz? Por Ventura nossas vigas são sólidas: Trocamos, de repente, as horas de ternura e contentamento por horas descontentes, e ainda assim, não deixamos de riscar os fósforos com afinco.


Thursday, April 26, 2012

Retrato da manhã

Imenso e pleno, sem ondas.
Eu à beira: Sentado sozinho
em um deck velho de madeira
tragando o tempo, vazio,
Quinta-feira;

A areia respira sob o lixo
que a domina;
O mar impuro, 
d’um azul-verde-escuro,
ainda tem vida;
D’outro lado, umas árvores,
mata nativa;
Bate em meu rosto 
um bom dia com gosto
de vento fresco;
E o relevo do horizonte:
distante, pitoresco;

Acima as aves contrastam
com o céu branco, nublado
que cobre a aurora;
Passarei aqui esta manhã
(que nascera há duas horas)
pois aos poucos posso ver o Sol.

Sunday, April 15, 2012

O Sábado mais vil de abril

Já é domingo.
Em quem pôr a culpa?
- Sábado, peça desculpas!
Lisura? Para mim não
                               tendes.
Também não juras o que não 
                                   sentes!
Tangenciaste os muros com algo
                                       implícito;
cavaste sem culpa teu túnel de fuga
                                       sub-reptício.

Então vais t’embora, Sábado,
não cativo quem me engana!
Hoje foste tão vil, que de nojo
desejei nunca mais ver-te.
Porém, há um sábado toda semana;
E das promessas que fiz,
não esqueço. Para o meu bem:
Sempre tem um sábado
na semana que vem.
Já é domingo.
 

Soneto da Infidelidade

Viveu intensamente seu vão momento?
Contrariou um soneto tão lindo
quando em face do maior encanto
não cruzei-lhe o pensamento. 

Em seu louvor não ri meu riso,
nem derramei meu pranto.
Gritei para a lua e esgoelei-me
de ira ao seu olhar arbitrário;

Gritei a dor de confiar-lhe um ano
ao ser riscado do seu calendário;
enquanto espalhava seu canto e riso.

Então direi um dia do amor (se tive)
Que tal chama que me aqueceu outrora,
infelizmente me queimará enquanto vivo.


 

Saturday, April 7, 2012

Desnorte

Hoje observo teu sono:
tépido como esse mar,
que não reflete estrelas
no nosso segundo outono.

Na calmaria, eu te amo,
tanto quanto venta forte.
E sem vela navegamos,
pr’um norte sem rumo
(desnorte). 

Tuesday, April 3, 2012

Nosso Soneto Irregular

Falta-me muito, admito; Sou vivo, imperfeito;
Embriagado de altivez em caminhos estreitos.
Não sinto, é instinto: Adapto-me aos meios.
Prometo melhor postura: Rubrico.

A letra é torta e (às vezes) não condiz;
O que fazer com os contratos prontos?
Rasgá-los? São tantos!
Tu quiseste, eu não quis.

Re-envido os planos; te banho em meu pranto;
Conheces-me melhor que ninguém. 
Porém cismas, sem balbucio, 

que estou armando motins!
E amiúde o desfecho é frígido:
Eu justificando os meios nos fins… 

Tuesday, March 6, 2012

De qualquer forma

Parece que meu tempo com ela passa 
como em uma noite de sono. 
Uma noite farta de sonhos, 
ora conturbados, ora celestes. 
Daqueles com adrenalina, com suor. 
Em que vez ou outra pisamos em falso 
e acordamos de supetão, mas, 
apesar de ter a opção de despertar, 
não hesitamos em fechar os olhos novamente 
(e dar mais um beijo).

Ninguém sabe a direção do corredor 
por detrás das portas do futuro. 
E se nossos passos divergirem? 
O descaminho é inevitável? 
Deve haver um coringa no nosso baralho de promessas. 
Às vezes penso até que ponto podemos reservar 
bens para o futuro e não vice-versa. 

Sei que o tempo não parará se acordarmos, 
se arrastará pela curva da interrogação. 
E quando não dormirmos mais na mesma
cama há um tempo, rememorarei sorrindo
meus sonhos e devaneios mais vivos com ela, 
e escreverei um poema cheio de ponto-e-vírgulas 
que termine com reticências…

Enquanto ela vai estar sorrindo para o nosso
álbum de fotos e relendo meus textos amiúde,
ratificando a certeza que nem sempre tivemos. 
No ápice da melancolia, é claro, vamos
chorar e soluçar, mas é nessa hora que a saudade
vai bater na porta dos dois para lembrar que,
de qualquer forma, a noite foi feita para sonhar.